Chama Acesa

Blog de aoitavaarte :A Oitava Arte, Chama Acesa

Eu canto a pedra há semanas: O rebaixamento é algo intangível ao padrão de nossa entidade. Todavia, para a consagração de tal fato e até para se fazer jus a tal, nos impõem estorvos na luta contra o temível fantasma, e me refiro principalmente a estorvos internos. Justifico: A postura da cúpula administrativa do clube foi de desleixo, tanto na montagem do comando técnico quanto no planejamento do elenco. É unanimidade entre a crítica esportiva e a nossa torcida: Time para cair, sem dúvidas que temos. As outras equipes que conosco lutam não ficam muito aquém de nosso nível técnico. A diferença reside, então, na natureza dos clubes: Nós somos o Cruzeiro, eles não. Deste modo, tenho tranqüilidade e convicção necessárias para abraçar o otimismo a que atenho.

Embora, até algumas rodadas atrás, eu pensava que estivesse representando parcela minoritária de nossa torcida, e veja que os números ainda embasavam rigorosamente o questionamento de meu otimismo: Lanterna do returno, uma vitória em 14 jogos e já figurando na zona do rebaixamento restando apenas cinco rodadas para o término da competição. Some aí a perda do craque da equipe e a tolerância forçada às piadas dos torcedores rivais. Os ingredientes acima gesticulam e prenunciam a queda fatal, contudo, Cruzeiro somos, e diante de nossa última batalha, Cruzeiro fomos.         

Fomos porque uma força estridente, aguda e encantadora se maximizou e continua se expandindo diante da perversidade do momento. Esta força a que refiro, trata-se de nós, torcedor. O panorama atual da equipe não nos afastou do clube, mas sim nos uniu e, assim sendo, ofuscou os deslizes estratégicos da equipe. Essa força, como eu já havia comentado em crônicas anteriores, é o que nos sustenta como Cruzeiro Esporte Clube. E o mais excêntrico: Desta vez este poderio não se manifestou apenas na arquibancada, como usualmente, mas também através de uma carreata em que o torcedor buscou a equipe em sua concentração e a escoltou por 80 km em direção ao palco de batalha. Com a consumação deste ato, afirmo convicto que a vitória fora decretada antes mesmo do inicio da partida, pois não houve santo no céu que não cedesse diante desta atitude.

Sete milhões de fiéis foram encarcerados no purgatório, obrigados a dilacerar diante desta condição atual e rara da equipe, porém a redenção já estipulara o seu preço: Apoio incondicional. E a quitação desta valia se dá com sobras!

 Uma paixão reluzente transborda em proporções formidáveis em nossa nação. Continuemos assim, continuemos Cruzeiro!

sábado 12 novembro 2011 00:49


Chamada Cruzeiro x Internacional

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Caminhando displicente pela calçada, ainda hoje, observei há alguns metros de distância um ser em um andar comum, face aparentemente normal, mas trajando algo que o distinguia até significativamente dos outros semelhantes que por mim passavam. O homem a que refiro, de uma idade até um pouco avançada, ostentava em seu corpo o manto celeste. Tendo em vista a situação atual da equipe e a humilhante partida do dia anterior, tentei decifrá-lo, a fim de me certificar se a criatura aparentava sinais de insanidade ou necessidade. Porém não. Para minha grata surpresa, o torcedor acima usava a sua camisa em sinal de honra, coragem, devoção. Logo, a reflexão: Se ele não desistiu, por que então eu haverei de desistir? Por que então haveremos de desistir?

Portanto, que o sentimento deste bravo torcedor nos contagie e nos inflame para a partida de domingo! Ficar parado procurando culpados, apontando os erros de um jogador ou outro e proferindo palavras de pessimismo, isso é o comum, o corriqueiro. Contudo, para nos livrarmos desta situação, deste buraco, teremos então de ser diferentes, de fazer a diferença! Se cada torcedor colocar como meta a vitória, e somente a vitória na partida de domingo, já poderemos nos proclamar favoritos, tenham isso em mente. Se 6.000 pessoas fizeram o que fizeram debaixo de chuva, frio e vento contra o Atlético-GO, imaginem só o que o triplo desse contingente poderá fazer contra o Internacional. Acreditem em si mesmos, acreditem no Cruzeiro!


Domingo será o dia em que o melhor em campo será cada um de nós, creiam nisso. Dependemos de nós, apenas de nós. Abandonar a equipe nessas condições é deserção, estejam cientes. A guerra não chegou ao fim, a próxima batalha é domingo e o nosso clube clama por nossa presença. Ajeite a bandeira, a camisa e, principalmente, conserve a tua garganta! 13/11 será o nosso dia!

segunda 07 novembro 2011 16:10


Parabéns Gremistas!

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``Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver... ``

Segundo o que postula o belíssimo hino gremista, quem integra esta nação estará com o clube independente de seu momento, abdicando de todos e quaisquer fatores para ao lado do Grêmio permanecer.

Pois bem, acredito que, isso por si só já bastaria para que um ex-jogador do clube e dito torcedor tricolor preterisse qualquer outra decisão, levando-se em conta a opção de defender as cores gremistas. Acrescente aí ainda o fato de o clube estar se preparando para a disputa da famigerada Taça Libertadores da América, um salário exuberante aos padrões nacionais e, principalmente, a concessão de uma chance para se redimir de equívocos passados perante toda esta nação de torcedores.

Está acima descrito o cenário da volta de Ronaldinho Gaúcho ao futebol brasileiro. Seus laços, a referência ao estado estampada no nome e a possibilidade da redenção apontam naturalmente a sua volta ao Grêmio. Óbvio, não? Não.

Dostoievsky já nos alertava da irracionalidade humana, e a decisão de Ronaldinho colocou em evidência este alarmante fato. Ele escolheu outro clube, não o Grêmio. E a minha opinião a respeito disso já está dada, sem a necessidade de explicitá-la.

Os que virarem o rosto a estas minhas palavras e me retrucarem, discorrendo sobre o livre-arbítrio humano, saibam que defendo algo talvez ainda mais valioso nos dias de hoje, o amor a camisa. E explico o porquê desta atitude, até um tanto agressiva, admito: O nome de batismo deste blog, a oitava arte, só pode ser assim associado ao futebol caso este sentimento esteja nele presente, caso contrário, não apenas terei que mudar o nome desta minha cria, como também me faltará motivos para alimentá-la.

O amor a camisa, mesmo que em declínio e sempre posto em xeque, ainda perdura. Seja em campeonatos amadores, na nostalgia de veteranos deste esporte ou na exaltação a ídolos. O que Ronaldinho fez, não passou de uma frustrada tentativa de nos escarniar, caros amantes do futebol. Porém, este leviano ato foi devidamente combatido por um estádio lotado de torcedores que respeitam seu hino como se um mandamento fosse. Ainda bem!

Os tricolores presentes, talvez não saibam, mas representaram não só o Grêmio, assim como também torcedores de todos os credos futebolísticos.

Portanto, parabéns gremistas!

sexta 04 novembro 2011 16:26


Modéstia à Parte

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Amigos, a derrota não mais me afasta das crônicas.

Ausentei-me por demais deste blog, deixando-o até órfão por vezes. O leitor mais assíduo identificará indubitavelmente que o período do abandono se dá juntamente as derrocadas celestes, e também, que isso não se trata de coincidência, mas de conseqüência do primeiro fato para com o segundo. Alerto, porém, o ledo engano de quem interpreta esta omissão como covardia. O fato de ser cruzeirense me permite não dar a cara à tapa quando eu julgar necessário. Quem integra esta legião aristocrática entende o orgulho que podemos gozar, bem como a vassalagem de outras torcidas diante de nossa realeza.

Entretanto, hoje resolvi dar o ar da graça, em especial para os que assim como eu, tratam essa fase de nariz em pé, cientes da certeza do escape e da onipotência azul e branca. Evocarei aqui, portanto, uma suposição hedionda envolvendo o descenso, para que fique claro a todos o quão tolo seria.

Se o Cruzeiro por ventura cair, o que, volto a repetir, obviamente soa rídiculo, correria-se o risco de as equipes a partir de então brigarem para cair, e não permanecer na Serie A. Ocorreria a subversão da lógica futebolística, pois o Cruzeiro, mesmo sendo filho do futebol, é maior que o próprio esporte que o consagra. Se isto então ocorre, a elite do futebol conseqüentemente e justamente perderia esta alcunha, pois como se denominar elite do futebol brasileiro sem que o maior clube do país participe do campeonato? Isto é irracional, ora! Assim como a equipe que virá a ser campeã brasileira, que será campeã nacional sem duelar com o maior clube de nossa união. Seria irrisório, patético tal fato.

Não caiam em bobagens e não se deixem levar pela crueldade das piadinhas da semana, vão por mim. Se não será o usual topo o que nos aguarda no fim da temporada, tampouco será o ordinário fracasso.

segunda 31 outubro 2011 12:27


Atitude louvável!

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Acontece uma coisa inédita a maioria dos torcedores celestes.

Veja só! Contextualizando, nosso rótulo de ``China Azul`` e o monumental feito de se tornar a maior torcida das alterosas ocorreram especialmente devido à década de 90, esplendoroso e heróico período em que conquistamos tudo o que vinha pela reta. Grande parcela do fato de sermos o maior clube do universo está pautada em tais conquistas, e também dos ídolos decorrentes destes triunfos. Portanto, temos uma torcida que em sua maior parte é jovem, mas isso não é de todo mal, posto que, agora que conquistamos o pódio, permaneceremos nele para o todo o sempre.  O inédito, que enfatizo no início da crônica, é que esta legião de torcedores está acostumada, mal ou bem, a sucessivas glórias. Quando não glória, uma quase glória. Sendo assim, o que nos assola atualmente é algo que não estamos habituados, nem historicamente, nem geneticamente. Ressalta-se que na última crônica cravei que o Cruzeiro não cairia, e volto a afirmar com peito estufado que ele não cairá, mas o foco do texto foi mera e unicamente no Cruzeiro, entidade e equipe, e não torcida. Pois hoje os holofotes estão sobre ela, e como integrante de tal, darei meu parecer sobre sua postura diante deste sentimento inabitual, estranho, inconfortável.

Esta minha conjectura não se embasa apenas na partida de ontem, mas na jornada como um todo. Desde a partida contra o São Paulo, especialmente, quando todos colocaram o carro, o coração e a esperança na 0-40 sentido Sete Lagoas, a torcida se uniu como nunca se vira antes. Já acompanhamos incontáveis vezes, cruzeirenses saindo de todo canto deste nosso vasto estado rumo ao gigante da Pampulha, mas como frisei na introdução, indo de encontro à glória. Desta vez, o torcedor da quarta-feira 22hrs contra o São Paulo, o mesmo que esgotou os ingressos contra o Corinthians e, pode se espantar, o que também desprezou a saúde pela paixão contra o Atletico-GO, foi ao estádio motivado não pela volta olímpica, mas pela salvação divina. Não porque o time enche os nossos olhos e nos orgulha pelo futebol jogado, mas sim porque ele agoniza, o que, por conseguinte também nos deixa assim.

Mas ontem foi demais! Os paladinos rumaram para o campo de batalha eufóricos, extasiados. Parecia não se importarem com o jejum, o carrasco, a tempestade e, sobretudo, a desconfiança. Fomos e vencemos, cantamos e triunfamos! Demos a prova indiscutível de nossa submissão ao Cruzeiro Esporte Clube.

Esta crônica não é conclusiva, pois ainda é escrita em período de guerra. Mas o sentimento deve ser disseminado, para que assim seja fortalecido. Estamos escrevendo na história do maior clube da história um capítulo tão grandioso ou até maior do que a conquista de um campeonato, saibam disso. O amor que agora devotamos e a missão que em breve se dará por cumprida nos permitirão dizer assim como no final de todas as nossas conquistas, mordidos de orgulho: Sou cruzeirense!

segunda 24 outubro 2011 17:51


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